A advertência lançada há anos pelo prestigiado jurista e antigo magistrado do Conselho Constitucional, Teodato Hunguana, continua a ecoar fortemente na arena política moçambicana. Durante o primeiro mandato do parlamento multipartidário, o então deputado chamou a atenção para a vulnerabilidade das instituições públicas face à penetração silenciosa de redes criminosas estruturadas.
Hunguana defendeu, na altura, que a ausência de uma resposta firme e imediata por parte das autoridades governamentais abriria espaço para que cartéis e redes de raptos ganhassem terreno, comprometendo a soberania e a segurança nacional. O analista alertou que o país corria o risco de ver o aparelho estatal sequestrado por interesses ilícitos caso não houvesse uma purificação interna.
Hoje, perante a persistência de crimes complexos como os raptos que assolam os centros urbanos, a reflexão do antigo juiz mostra-se de uma atualidade inquestionável, exigindo uma postura mais vigorosa do Estado no desmantelamento destas organizações criminosas que ameaçam a estabilidade social e económica de Moçambique.
Fonte: Carta de Moçambique – Informação rigorosa e opinião de qualidade de e sobre Moçambique. (https://cartamz.com/carta-de-opiniao/54063/quando-o-estado-se-levanta-dos-raptos-a-luta-contra-os-carteis/)