A recente aparição pública do músico moçambicano McRoger tem gerado uma onda de descontentamento e debate sobre a sensibilidade social das figuras públicas no país. Num momento em que a maioria dos cidadãos enfrenta sérias dificuldades económicas, marcadas pela crise nos transportes públicos (os vulgos “chapas”) e pelo custo de vida sufocante, a exibição de opulência por parte do artista é vista como uma afronta à realidade nacional.
Analistas e observadores sociais sugerem que este comportamento não resulta necessariamente de uma orientação direta das esferas do poder, mas sim de uma tentativa de bajulação para garantir benefícios pessoais junto das elites financeiras. A ostentação em unidades hoteleiras de luxo contrasta drasticamente com o cenário de pobreza que afeta a maior parte dos moçambicanos, revelando um distanciamento preocupante em relação ao quotidiano do povo.
Esta postura, classificada por muitos como “anti-chapista”, simboliza o fosso crescente entre uma minoria privilegiada que se move em ambientes luxuosos e a massa popular que luta diariamente pela sobrevivência nas paragens de autocarro. A atitude do músico levanta questões profundas sobre o papel social dos artistas e a falta de empatia perante o sofrimento coletivo em Moçambique.
Fonte: Carta de Moçambique – Informação rigorosa e opinião de qualidade de e sobre Moçambique. (https://cartamz.com/textos-de-marcelo-mosse/52979/o-rumo-do-submundo-de-mcroger-e-profundamente-anti-chapista/)