A problemática do abandono social e familiar continua a afetar gravemente o setor da saúde em Moçambique. Atualmente, setenta e oito cidadãos que sofrem de perturbações mentais encontram-se retidos no Hospital Psiquiátrico, mesmo após terem recebido alta médica, devido à falta de acolhimento por parte dos seus parentes.
Este grupo de doentes, que já ultrapassou largamente o tempo regulamentar de internamento temporário, é constituído por 54 indivíduos do sexo masculino e 24 do sexo feminino. A permanência prolongada destes utentes nas enfermarias deve-se a múltiplos fatores sociais, com particular destaque para o estigma que ainda envolve a saúde mental e a rutura dos laços familiares.
De acordo com as diretrizes daquela unidade sanitária, o internamento de curta duração deveria ser um processo estritamente transitório. Contudo, a ausência de referências familiares ou a recusa expressa dos familiares em receber de volta os pacientes após a estabilização do seu quadro clínico força a instituição a prolongar a sua estadia de forma indeterminada, sobrecarregando os serviços de assistência.
Fonte: O País – A verdade como notícia (https://opais.co.mz/abandono-familiar-deixa-78-pacientes-retidos-no-hospital-psiquiatrico/)