Cerca de 14 mil residentes da localidade de Nguluzane, no distrito de Xai-Xai, continuam a viver momentos de extrema vulnerabilidade alimentar, oito meses depois de graves inundações terem fustigado a região sul de Moçambique. A destruição das vias de acesso impede a chegada de bens de primeira necessidade, asfixiando o comércio local e agravando o custo de vida dos agregados familiares que dependem da terra.
No mercado de Luza Mahala, o principal ponto de comércio da zona, a escassez de produtos essenciais como farinha, arroz e açúcar é evidente. Comerciantes locais queixam-se de que a degradação da estrada de ligação à cidade de Xai-Xai afasta os fornecedores e encarece as mercadorias. O óleo alimentar, por exemplo, viu o seu preço disparar, sobrecarregando o bolso dos consumidores numa infraestrutura mercantil que há mais de duas décadas carece de serviços básicos de saneamento, água e eletricidade estável.
A agricultura de subsistência, base económica da maioria destas famílias, foi devastada pelas águas das cheias, forçando a população a depender quase exclusivamente das compras na capital provincial. Contudo, vencer os 14 quilómetros de estrada esburacada até Xai-Xai tornou-se um teste de resistência física e financeira, com tarifas de transporte elevadas e escassez de viaturas que forçam muitos, incluindo profissionais da educação, a percorrer longas distâncias a pé.
Perante o isolamento e o encarecimento galopante do custo de vida, as lideranças comunitárias clamam por uma intervenção humanitária urgente para evitar uma catástrofe alimentar severa. Até ao momento, as autoridades do governo do distrito de Xai-Xai não se pronunciaram sobre as medidas previstas para mitigar o sofrimento destas famílias.
Fonte: O País – A verdade como notícia (https://opais.co.mz/mais-de-14-mil-pessoas-continuam-a-enfrentar-dificuldades-para-garantir-alimentos-oito-meses-depois-das-cheias-que-assolaram-nguluzane-no-distrito-de-xai-xai-a-degradacao-da-principal-via-de-acesso/)